Anelore Schumann

26 de set de 20194 min

Tornar visível o que ninguém vê - Ateliê da OCA

A Escola de Arte Ateliê Oca convida para a abertura da exposição
 

 
das Oficinas de Pintura Moderna
 

 

 
TORNAR VISÍVEL
 

 
(o que ninguém vê)
 

 

 
Visitação aberta ao público de segundas a sextas das 10h às 12h e das 14h às 18h.Informações e agendamento: (51)3333 8917.
 

 
Esperamos sua visita!
 

 

 

 
ARTISTAS
 

 
Gisele Forneck
 

 
Gustavo Burkhart
 

 
Ivone Fronza Beltrame
 

 
Og Wetzel Moreira Filho
 

 

 
Coordenadora da Oficina
 

 
Anelore Schumann
 

 

 
Poeta Convidado
 

 
Sidnei Schneider
 

 

 
Curador
 

 
André Venzon
 

 

 

 
Bem-vindo a Escola de Arte Ateliê Oca que apresenta na exposição TORNAR VISÍVEL (o que ninguém vê) um conjunto de trabalhos dos artistas Gisele Fornek, Gustavo Burkhart, Ivone Fronza Beltrame e Og Wetzel, representativo dos seus processos de produção experimental, com reflexões poéticas e o fazer em desenhos, colagens e pinturas, resultantes do curso livre de Pintura Moderna, ministrada pela artista e psicanalista Anelore Schumann.
 

 

 
Tornar Visível (O que ninguém vê) não é apenas uma exposição de arte, mas também deste lugar: a Escola de Arte Ateliê Oca. Em atividade desde o início dos anos 2000, o espaço que começou como ateliê coletivo organizado pelo artista visual e designer Paulo André Frydman, foi também ambiente de criação e atividades em arte-educação de artistas como Leandro Machado, Nádia Poltosi, Michele Philomena, Dênis Siminovich, entre outros, que fizeram jus a tradição do bairro Bom Fim em abrigar diversas residências e ateliês de artistas, como a histórica Galeria de Marte e o Torreão.
 

 

 
O ateliê é este lugar de onde nascem os artistas. Digo isto, porque penso que os artistas e a arte não nascem da cabeça de um professor ou de um curador, mas da nossa sociedade, e das suas demandas cada vez mais necessárias de humanismo e conhecimento sensível. Portanto, no atual contexto cultural, preservar e promovermos estes espaços de criação dedicados à liberdade de pensamento e expressão é uma forma estratégica de cuidarmos / curarmos nossas próprias vidas, tão marcadas por um cotidiano de violência social quase absoluto em que sobrevivemos.
 

 
Convidado a apresentar a segunda exposição da mostra de resultados dos alunos da escola, sucedendo a primeira em 2013 que teve a curadoria de Antônio Augusto Bueno, artista que também mantém um ateliê-galeria, o Jabutipê, destaco, sobretudo, a ênfase do curso na criação artística através da livre experimentação de materiais. Lembrando o conceito de Mario de Pedrosa (Crítico de Arte brasileiro, 1900-1981), de que "a arte é um exercício experimental de liberdade", cada aluno trabalhou explorando em seu processo criativo as diferentes linguagens expressivas, do desenho a colagem, partindo também de referências conceituais e formais dos grandes mestres da pintura do século XX, tanto modernos quanto contemporâneos, que foram reinterpretados em busca do estilo próprio de cada aluno.
 

 

 
Atrair público para esta convivência criativa é o objetivo principal deste espaço que apresenta mais de 50 obras dos seus alunos para quem quiser conhecer e adquirir estes trabalhos que partiram do estudo da arte moderna, movimento artístico internacional e que no Brasil foi “inaugurado” com a Semana de Arte Moderna, em 1922.
 

 

 
Diante desta mostra, percebem-se dois eixos de expressão bem definidos, o primeiro formado pelos artistas Gisele Forneck e Gustavo Burkhart, que participaram da exposição anterior, e têm obras com uma carga simbólica mais complexa, e o segundo constituído por Ivone Fronza Beltrame e Og Wetzel, cujas composições têm aspectos mais lúdicos e primitivos.
 

 
Gisele Forneck usa com liberdade um repertório de imagens para construir suas obras. É de um dos seus trabalhos que extraímos o título da presente exposição. Em grande parte das suas criações a figura feminina tem um papel central, porém a aparente ausência da figura masculina se manifesta naquele que “vê o que ninguém vê”, e espreita os mistérios da vida e da morte, que se entrelaçam nas suas colagens. A artista desenvolve um trabalho sensível e ao mesmo tempo dramático, onde os personagens se diluem no contexto de histórias escritas ou então em saltos para o vazio.
 

 
Gustavo Burkhart trabalha com nanquim sobre papel, ora em cenários diluídos em preto e branco, ora coloridos, onde mistura uma profusão de signos em meio a figuras esquematizadas. Sua mulher com burca colocada no centro de um das suas obras é um exemplo que pode concentrar o tema da guerra entre oriente e ocidente, como também o debate entre o bem e o mal, ou a liberdade e a opressão. O artista trabalha principalmente sobre manchas de nanquim dando vida a formas figurativas sugeridas pelo seu inconsciente. Seus desenhos remetem a paisagens citadinas em suas múltiplas facetas, com ênfase na figura feminina em meio a escritos, códigos e cenas surreais.
 

 

 
Ivone Fronza Beltrame pinta paisagens campestres que nascem de uma inspiração romântica, para logo adquirem contornos arquetípicos em escritas e figuras abstratas. Suas pinturas ainda buscam capturar a efemeridade das nuvens, ao mesmo tempo em que reflete imagens da sua infância e de sonhos.
 

 

 
Og Wetzel em suas perspectivas aéreas parece nos fazer ver as coisas do alto, como se apenas de lá fosse possível vislumbrar a multiplicidade de cores do mundo, sobrevoando os diferentes campos da percepção.
 

 
Todas estas manifestações artísticas expressam a generosidade do lugar ateliê para ampliar a condição humana de ser na arte, uma vez que na realidade, vivemos reprimidos por um cotidiano de extrema violência que nos permite pouco tempo para refletir sobre o mundo e nós mesmos. Atualmente, em meio ao agravamento da infinita crise do capitalismo, numa sociedade cada vez mais competitiva e discriminatória, a própria arte, antes símbolo de liberdade, foi transformada em objeto de disputa e produto do mercado curatorial instituído por museus, bienais e feiras. Valorizar estes espaços de criação, como a Escola de Arte Ateliê Oca, divulgando suas ações artísticas e culturais são formas autênticas de desenvolver o conhecimento a respeito da arte sem negligenciar as demandas da nossa comunidade artística.
 

 

 
André Venzon
 

 
Curador independente, artista visual e atual Diretor do Museu de Arte Contemporânea do RS.
 

 

 
ESCOLA DE ARTE ATELIÊ OCA
 

 
www.ocapoa.com.br
 

 
Rua Francisco Ferrer, 408
 

 
Bairro Rio Branco
 

 
Porto Alegre – RS

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